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Roberto Coelho – Dia Mundial Sem Carro

Estamos mais uma vez chegando em setembro ao Dia mundial sem carro.  Um evento que deve ser considerado com mais seriedade pelos governantes do país.

A bicicleta finalmente passa a ocupar um lugar de destaque como opção de meio de transporte nos centros urbanos. É gratificante perceber a grande quantidade de movimentos nunca vistos anteriormente, incentivando e defendendo o uso deste veiculo de transporte e lazer.

Vejo as sementes de vários companheiros que participam dessa luta pela conscientização do uso da bicicleta começar a germinar e sinto que logo estarão dando seus primeiros frutos.

No entanto, esse momento positivo necessita ainda mais de empenho da parte dos ativistas e interessados nessa questão. Essa é a hora de consolidarmos nossa luta pela ocupação inteligente do trânsito nas ruas. O Dia mundial sem carro é uma bela oportunidade para conquistarmos um pouco mais de espaço.

As vantagens da utilização da bicicleta, como nós sabemos são imensas, e é preciso, pelo bem comum do planeta, conscientizar os que ainda não despertaram para essa realidade.

Um dos principais segmentos da sociedade a ser sensibilizado é a classe dos políticos. É através da aprovação de leis e de dispositivos de defesa dos ciclistas que teremos o espaço da bicicleta consolidado. Esse é possivelmente nosso ponto mais frágil, pois ainda não conseguimos ter um representante da nossa classe nos âmbitos municipal, estadual ou federal. É urgente a necessidade de atuarmos nesse sentido, pois de outra forma estaremos fazendo o que fizemos até hoje, que não foi pouco absolutamente, mas o momento atual demanda essa variação na nossa estratégia de popularizar ainda mais a bicicleta. É a hora certa para avançarmos em nossa luta!

Primeiramente é preciso criar as condições básicas para o uso seguro da bicicleta como meio de transporte da população. As ciclovias precisam de cuidados e novos roteiros que sejam efetivamente práticos para o deslocamento. Ciclofaixas utilizando parte dos estacionamentos ao longo das canaletas dos ônibus expressos são uma excelente opção que nunca foram viabilizadas, por não termos um representante no meio político.

Há poucos anos a Prefeitura Municipal, através da URBS construiu, numa atitude muito louvável, uma série de quiosques ao longo de algumas ciclovias, que deveriam ter sido utilizados como bicicletários. Nesses quiosques, o arrendatário, definido por licitação pública para explorar o serviço, poderia ter no local uma oficina mecânica e peças e acessórios para comercialização, além de explorar o estacionamento das bicicletas. Uma grande idéia que acabou não vingando por absoluta falta de “jogo de cintura” da URBS. As exigências foram tão grandes e a margem de lucro do arrendatário tão reduzida, que não houve interessados na exploração do serviço. Perdemos ai uma grande oportunidade de consolidação da nossa luta e perdemos também o investimento da construção dos quiosques que hoje se encontram abandonados.

Essa estrutura de apoio ao ciclista é fundamental para a institucionalização da bicicleta como meio de transporte. Nós, ciclistas regulares, certamente em nossa maioria, sabemos como fazer o conserto de um pneu furado, ou como efetuar pequenos reparos em nossas bicicletas. Mas o ciclista que está tentando ir pela primeira vez ao trabalho com sua bicicleta recém adquirida? O que faz no caso de um imprevisto como esse?

As condições mínimas de apoio são imprescindíveis para que a bicicleta ocupe seu lugar como meio de transporte.

Muito existe a ser feito, porém como em tudo na vida, é preciso conjugar as forças, é necessária a organização das idéias, fundamental criar uma estratégia e um plano de ação e segui-lo.

Não há outra possibilidade que conseguirmos efetivar nossa luta em prol da utilização da bicicleta, a não ser nos organizando e elegendo um representante político que defenda os nossos interesses, que são, em última instância, os interesses comuns a ciclistas e não ciclistas, de um mundo melhor, com ar mais puro para se respirar, com menos stress no trânsito e muito mais saúde para todos.

Com relação à saúde posso falar confortavelmente, pois convivo há 31 anos com a Doença de Parkinson e não fosse a bicicleta, possivelmente não poderia ao menos estar escrevendo sobre esse assunto.

Boas pedaladas,

Roberto Coelho

O Programa Ciclovida e
a Invasão das Bicicletas


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