Arquivo do mês: maio 2012

Por que os ciclistas curitibanos escolheram as canaletas?

Por José Carlos Assunção Belotto

Como estudioso da mobilidade urbana e ciclista, que pedala diariamente pelas canaletas Curitibanas, tentarei responder esta pergunta. Algumas pessoas colocam como vilões do trânsito os ciclistas que usam as canaletas, desconhecendo tecnicamente o porquê desta opção.      Infelizmente, até hoje para a prefeitura de Curitiba, a bicicleta sempre foi considerado um veículo de lazer, somente agora este pensamento começa a se modificar. O conceito bicicleta/brinquedo ainda foi usado na mais recente grande obra viária da cidade: a linha verde. Os 118 km de ciclovias de Curitiba, na sua grande maioria, ligam parques com parques, circundam a área central, não ligam os bairros com a região central. E ainda na maior parte seguem o conceito de calçada compartilhada, sendo esta invadida por pedestres, carros estacionados, caçambas, postes, pontos de ônibus e sem contar o sobe desce de meio-fio em cada esquina; não sendo confortáveis e funcionais para quem usa a bicicleta como meio de transporte. Não é verdade que a bicicleta precisa estar segregada para trafegar com segurança, em ruas com a velocidade limitada a 30 km por hora, é plenamente viável e seguro o compartilhamento. Além disso, se nossas autoridades municipais fizessem valer a lei, ou seja, o Código Brasileiro de Trânsito, que no seu artigo 58 diz: “Quando não houver ciclovia ou ciclo faixa a bicicleta deve trafegar pelo bordo da pista no mesmo sentido do fluxo dos demais veículos com prioridade sobre os carros”. Então, em tese, qualquer rua que não tenha ciclovia ou ciclo faixa a prioridade de uso do bordo da via é do ciclista.

Este artigo da lei não é divulgado, não existe uma única placa sinalizando para o seu cumprimento. Alguns motoristas colocam o ciclista como um invasor da via, mas como podemos observar no artigo do código de trânsito citado acima, a prioridade é do ciclista. Realmente, o ciclista necessita de trabalho educativo, mas todos os componentes do trânsito também precisam. Por que há tanta gente pedalando nestas vias e por que os ciclistas Curitibanos escolheram as canaletas de ônibus como seu trajeto preferido? Segue as razões principais:

01. Pela lei de uso do solo de Curitiba, a população se adensou ao longo das estruturais, onde é permitido construir os prédios mais altos, então, próximo aos corredores de ônibus mora a maioria da população de Curitiba. Estes eixos estruturais são compostos pelas canaletas de ônibus no meio, e de cada lado existe uma via lenta em sentidos opostos, a primeira rua paralela dos dois lados destes eixos são vias rápidas, uma em cada sentido, centro-bairro e bairro-centro.

02. Estes eixos de transporte fazem a ligação direta bairro-centro.

03.  Nas canaletas, só existem motoristas profissionais, e passam em média um veículo a cada um minuto e meio, enquanto que no mesmo tempo em outras vias, transitam dezenas ou até centenas de carros, com todo tipo de motorista.

04. Nas canaletas não existem entradas e saídas de garagem, não têm postes no meio, não tem carro estacionado, não têm caçambas, não tem sobe e desce de meio fio. Estes fatores aumentam o conforto, a fluidez e a segurança.

05. Estes eixos de transporte são bem iluminados e mais seguros contra assaltos.

06. A topografia é mais plana e o desenho menos sinuoso.

07. Aqueles que desejarem podem fazer a integração com o transporte coletivo, apesar de não existirem bicicletários nos terminais, amarram a bike no poste e seguem a viagem de ônibus.

É uma pena, mas a Linha Verde não tem uma excelente ciclovia, mais uma vez foi usado o conceito de calçada compartilhada e de lazer. Isso obriga o ciclista a inúmeras travessias, a ciclovia ora está de um lado da pista hora no canteiro central, ora está de outro. Alguns trechos foram feitos em zig zag, para avançar trinta metros o ciclista percorre cem metros, este modelo de há muito foi reprovado pelos ciclistas. Seria muito mais barato e eficiente fazer uma ciclo faixa paralela ao corredor de ônibus. Resultado é de que a maior parte dos ciclistas que passam pela linha verde usa a canaleta.

Por último apresento como proposta, a sugestão que há alguns anos desenvolvemos com a ajuda do ex-presidente da UCB (União dos Ciclistas do Brasil), e consultor ciclo viário, o arquiteto Antonio Miranda, e que se existisse o mínimo de vontade política, já seria realidade, transformando Curitiba em exemplo Mundial de integração bicicleta x ônibus. Implantando ciclo faixas paralelas as canaletas e se adotada em todos os eixos estruturais, seriam anexados aproximadamente 70 km de ciclo faixas a atual rede, permitindo a conexão com muitos trechos das atuais ciclovias de lazer que circundam o centro da cidade, formando realmente uma rede cicloviaria. E tudo isto a um custo baixíssimo, pois já está tudo pavimentado, bastando que fosse proibido o estacionamento de carros de um dos lados da canaleta, pequenas adaptações nos cruzamentos e implantação de sinalização. Com pouco investimento (aproximadamente 10 a 20 milhões de reais) para uma cidade do porte de Curitiba, transformaria a mobilidade da metrópole e com esta intervenção urbanística se tornaria uma das cidades mais ciclaveis do mundo.

 

José Carlos Assunção. Belotto

 Membro do GTH (Grupo Transporte Humano)

Conselheiro da UCB  (União dos Ciclistas do Brasil)

Associado fundador da Ciclo Iguaçu

Diretor de Ciclismo universitário da Federação Paranaense de Ciclismo

Coordenador do Programa de Extensão CICLOVIDA da UFPR 

Relatório sobre a ciclomobilidade em Curitiba aponta Programa Ciclovida como bom exemplo para a cidade

Relatório sobre a Ciclomobilidade em Curitiba

Lançada a Frente Parlamentar em Defesa das Ciclovias, por melhor mobilidade urbana

Confira a matéria no site da deputada federal Marina Santana.

Pedalada dos 100 anos encerrou as comemorações do mês de Maio

Esta galeria contém 17 fotos.

A Pedalada dos 100 aconteceu ontem (20), às 10h da manhã. Compareceram ao evento aproximadamente 200 ciclistas  que saíram do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e fizeram um percurso de aproximadamente 7 km passando por outros campi. A pedalada encerra as comemorações do centenário da universidade que aconteceram no mês de maio.  Palestras sobre cultura e extensão foram realizadas nos dias 18 e 19.

As 9h os participantes começaram a chegar para a concentração e foram recepcionados por um carro de som, esse que conduziu os ciclistas durante todo o trajeto. As inscrições para o sorteio final também se iniciaram no mesmo horário. Foram sorteados diversos itens para incrementar as bikes, além de dois jantares com acompanhante no Restaurante Tartaruga e duas bicicletas novinhas.

O reitor da UFPR, Zack Akel Sobrinho e o vice reitor, Rogério Mulinare, compareceram com suas bikes e realizaram todo o percurso. O reitor também colaborou assinando um abaixo assinado a favor de um projeto que será entregue para a prefeitura solicitando a ligação cicloviária entre os campi Centro Politécnico e Jardim Botânico. A ligação deve ser integrada a malha de ciclovias já existente.

O evento foi realizado pelo Programa Ciclovida, programa de extensão da universidade sob coordenação de José Carlos Belotto, e contou com o apoio da Kuritbike, Bike Sul, Restaurante Tartaruga, Agência Bicicleta e Baron Bikes.

(Fotos: Danilo Herek)

Bicicleta e Mobilidade Urbana

Congresso Mobilidade, Meio Ambiente e Sustentabilidade

Confira a matéria no site Ciclo Ativismo.

Programa Ciclovida participa do Congresso Mobilidade, Meio Ambiente e Sustentabilidade

Esta galeria contém 5 fotos.

 

 

 

 

Pedalada dos 100 anos

Quem estiver sem bicicleta pode alugar a sua com o pessoal do KuritBike.

Endereço: Av. João Gualberto, 802 D, Alto da Glória, Curitiba, CEP: 80030000

Telefone: (41) 9656-2951

Desinteresse dos jovens por carros preocupa montadora

A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem

 

Por Maria Fernanda Cavalcanti  – no Mobilize

Em recente artigo do The New York Times, da jornalista Amy Chozick, é mais uma prova de que os jovens mudaram. A geração entre 18 e 24 anos está se importando mais com os outros e com o mundo em que vivem, superando antigos valores e necessidades de consumo que já não os convencem e, muito menos, os satisfazem. Uma dessas mudanças importantes está no modo com que os jovens se relacionam com a mobilidade.

 

Há poucas décadas, o carro representava o ideal de liberdade para muitas gerações. Hoje, com ruas congestionadas, doenças respiratórias e falta de espaço para as pessoas nas cidades, os jovens se deram conta de que isso não tem nada a ver com ser livre, e passaram a valorizar meios de transporte mais limpos e acessíveis, como bicicleta, ônibus e trajetos a pé. Além do mais, “hoje Facebook, Twitter e mensagens de texto permitem que os adolescentes e jovens de 20 e poucos anos se conectem sem rodas. O preço alto da gasolina e as preocupações ambientais não ajudam em nada”, diz o artigo.

 

Para entender esse movimento, o texto conta que a GM, uma das principais montadoras de automóvel do mundo, pediu ajuda à MTV Scratch, braço de pesquisa e relacionamento com jovens da emissora norte-americana. A ideia é desenvolver estratégias adaptadas à realidade dos carros e focadas no público jovem para reconquistar prestígio com o pessoal de 20 e poucos anos – público que tem poder de compra calculado em 170 bilhões de dólares, segundo a empresa de pesquisa de mercado comScore.

 

Porém, a situação não parece ser reversível. “Em uma pesquisa realizada com 3 mil consumidores nascidos entre 1981 e 2000 – geração chamada de ‘millennials’ – a Scratch perguntou quais eram as suas 31 marcas preferidas. Nenhuma marca de carro ficou entre as top 10, ficando bem abaixo de empresas como Google e Nike”, diz o artigo. Além disso, 46% dos motoristas de 18 a 24 anos declararam que preferem acesso a Internet a ter um carro, segundo dados da agência Gartner, também citados no texto do NY Times.

 

O que parece é que os interesses e as preocupações mudaram e as agência de publicidade estão correndo para entendê-los e moldá-los, mais uma vez. Só que, agora, com o poder da informação na ponta dos dedos e o movimento da mudança nos próprios pés fica bem mais difícil acreditar que a nossa liberdade dependa de uma caixa metálica que desagrega e polui a nossa cidade.

 

Jovens brasileiros preferem transporte público de qualidade

 

Essa tendência de não-valorização do carro já foi apontada também pelos nossos jovens aqui no Brasil. A pesquisa O Sonho Brasileiro, produzida pela agência de pesquisa Box1824, questionou milhares de ‘millenials’ sobre sua relação com o país e o que esperavam para o futuro. As respostas, que podem ser acessadas na íntegra no site, mostram entusiasmo e vontade de transformação, especialmente, frente aos desafios sociais e urbanos como falta de educação e integração.

 

A problemática do transporte público se repete nos comentários dos internautas no site da pesquisa, que mantém o espaço virtual aberto para todos que quiserem deixar sua contribuição de desejo de mudança para o local em que vivem. A maioria das pessoas que opina enxerga o carro como um vilão que polui e tira espaço da cidade e acredita que a solução está em investimento em transporte público de qualidade. Esse é o desejo dos jovens brasileiros que também já mudaram e agora estão sonhando, mas de olhos bem abertos para cuidar do mundo em que vivem.

TV UFPR faz matéria sobre a inauguração dos paraciclos

LINK

O Programa Ciclovida e
a Invasão das Bicicletas


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