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“São Paulo precisa tirar carros da rua, diz ex-prefeito de Bogotá.”

Detentos pedalam para produzir energia elétrica em presídio em MG

Publicado em Jornal Nacional

Em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas, a ideia de um juiz transformou os presos de bom comportamento em produtores de energia elétrica.

 

Em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas, a ideia de um juiz transformou os presos de bom comportamento em produtores de energia elétrica.

As duas bicicletas ficam no pátio do presídio. Por correias, as pedaladas geram a energia que vai carregar duas baterias. No guidão, um aparelho indica a hora de parar.

O juiz da cidade, José Henrique Mallmann, conta que tirou a ideia da internet. Viu nas academias americanas. No presídio, o projeto foi recebido com receio, mas depois ganhou a adesão dos detentos. Outras oito bicicletas devem ser instaladas.

“Controla um pouco da ociosidade, e a cada 16 horas pedaladas eles têm um dia a menos na pena”, aponta o juiz.

Depois de carregadas, as baterias são levadas até o centro da cidade. O resultado do esforço físico dos presos aparece à noite, quando parte de uma praça da cidade fica iluminada. Pedalando o dia inteiro, eles conseguem produzir energia para acender seis lâmpadas. Mas quando o presídio tiver dez bicicletas funcionando, aí sim vai ter carga suficiente para iluminar toda a avenida.

Pela lei, os presos não são obrigados a pedalar, mas se a direção do presídio deixar, tem preso que vai queimar energia o dia todo.

“Eu estava barrigudinho, emagreci uns quatro quilos”, revela um detento.

Depois que as bicicletas foram instaladas, o clima no presídio agora é outro.

“Eles estão se sentido úteis pedalando. Eles estão ganhando remissão e produzindo energia, energia saudável. Hoje se fala muito em sustentabilidade”, diz o diretor do presídio, Gilson Rafael Silva.

 

1º Fórum de Bicicletas – Morretes2012

 


 

 

 

Tese: O Desenvolvimento e a Inserção da Bicicleta na Política de Mobilidade Urbana Brasileira

Por GISELLE NOCETI AMMON XAVIER

Link para o trabalho completo

RESUMO

O objetivo deste estudo interdisciplinar é situar o desenvolvimento como processo e utilizar este conhecimento para contextualizar a inserção da bicicleta na política nacional de mobilidade urbana, buscando compreender os fatores deste processo que inibem as iniciativas e estratégias dos setores e agentes dedicados a evidenciar os diversos aspectos positivos dessa inserção. Para atender ao objetivo proposto foram adotados os seguintes procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica; pesquisa documental; levantamento de dados e pesquisa participante. A pesquisa bibliográfica e documental envolveu publicações técnicas e científicas, magazines, textos publicados por instituições governamentais e leis e/ou projetos de lei federais, decretos referentes à mobilidade urbana, pela pesquisa nos sítios eletrônicos de entidades nacionais e internacionais. Os atores/agentes abordados fazem parte dos setores governamental, técnico, indústria e comércio, e da sociedade civil relacionados à inserção da mobilidade por bicicleta na política nacional de mobilidade urbana, os quais foram chamados a contribuir por meio de entrevistas pessoais, viaskype, por telefone, através de mensagens eletrônicas. O resultado é um texto de revisão permeado por entrevistas e depoimentos de atores/agentes da política de mobilidade urbana, e em especial da política de mobilidade por bicicleta em nível nacional, que dialogam com a literatura técnico-científica ao longo dos capítulos que abordam: o Desenvolvimento da Sociedade; a Mobilidade Urbana na Agenda da Sustentabilidade Ambiental; a Mobilidade por Bicicleta nos Planos Governamentais Brasileiros e a Mudança do Paradigma: de Transporte para Mobilidade Urbana e Acessibilidade.

A palavra fragmentada “dês – envolvimento” revela a necessidade do paradigma capital-expansionista de reduzir as práticas sociais que mantém o foco nas necessidades humanas fundamentais. É dessa forma que a cultura ao carro se expandiu, ocupou espaço nas vias e nas vidas urbanas. Mesmo sendo uma opção que não resolve os problemas de mobilidade da maioria, a sociedade investe nesta forma de transporte de uma maneira que vai contra a equidade, a cidadania, coloca em cheque o valor social do transporte.

A mudança dos paradigmas da mobilidade urbana passa pela prioridade aos transportes coletivos, ao andar a pé e ao andar em bicicleta. É uma questão de cidadania, de justiça social, de sustentabilidade, de uso racional do espaço urbano. Mas existem barreiras a essa mudança, fazendo com que a mobilidade urbana sustentável precise ser trabalhada como um produto a ser assumido, é preciso a utilização de marketing social, pois a cultura favorável aos motorizados individuais está muito arraigada nas sociedades. Para que o poder público “tenha a coragem” de implementar a Política de Mobilidade Urbana Sustentável, e principalmente no que se refere aos investimentos relativos à mobilidade por bicicleta, é necessário que a população aceite, defenda, reivindique a mudança. Há um número crescente de usuários da bicicleta como transporte e de movimentos sociais de defesa da mobilidade por bicicleta no Brasil. A visibilidade desse segmento da sociedade, apesar de crescente, não tem sido suficiente para pressionar o poder público para mudanças mais significativas. Mas, entende-se que apesar de todos os problemas que os movimentos sociais enfrentam em suas lutas diárias, ainda são eles os responsáveis pelas mudanças sociais; e continuam a ser eles os fomentadores de uma consciência crítica.

A bicicleta como ferramenta econômica

Postado em Ir e Vir de Bike

Quando a economia começa a dar sinais de desaceleração, é dever do governo agir para garantir a estabilidade e a manutenção dos empregos da população. Uma opção éreduzir os impostos sobre a venda de automóveis, aumentando o endividamentoda população e ainadimplência, contribuindo também para aumentar oscongestionamentos das ruas e as emissões de gasescausadores do efeito estufa. Outra é investir na bicicleta e em infraestrutura cicloviária, medida que tem se mostrado a forma mais eficiente e sustentável para garantir que as pessoas cheguem aos seus postos de trabalho.

A ideia não é defendida apenas por “eco-chatos” ou “fanáticos xiitas talibikers”. No artigo Os Dividendos da Bicicleta, publicado recentemente no jornal The New York Times, a professora de economia da Universidade de MassachusettsNancy Folbre defende o foco na bicicleta como ferramenta macroeconômica para ajudar os Estados Unidos a vencer a crise econômica.

Em seu artigo, Nancy cita os exemplos das principais cidades norte-americanas e conclui que há uma lógica econômica por trás dos recentes esforços das cidades em promover o uso desse meio de transporte: “Carros desfrutam de enormes subsídios diretos na forma de construção de estradas e espaços de estacionamento público, bem como subsídios indiretos à indústria do petróleo que fornece combustível. Esses subsídios excedem em muito a receita fiscal gerada pelo uso do carro. No entanto, carros impõem grandes custos sociais: sua utilização contribui para o aquecimento global, congestionamentos, acidentes fatais e estilos de vida sedentários”, escreve. “Já o uso da bicicleta é bom tanto para as pessoas quanto para o planeta”, compara.

Anualmente, a bicicleta ajuda a maior economia do planeta a economizar US$ 4,6 bilhões, de 

acordo com estudo doTransportation Research Board. Um jeito mais fácil de entender parte dessa cifra astronômica: uma bicicleta requer cerca de US$ 300 dólares anuais em gastos de manutenção, um carro exige cerca de US$ 7 mil anualmente.

De acordo com o levantamento, se cada motorista norte-americano adotar a bicicleta como meio de transporte apenas uma vez por semana, o potencial de economia chega a US$ 7 bilhões, dinheiro que pode circular no mercadinho da esquina, no consumo de produtos da agricultura familiar, em cuidados pessoais ou em ingressos para parques e cinemas.

A economista lembra que a aumento do uso das bikes é prático e viável, especialmente se ele puder ser combinado com um transporte público de qualidade para as necessidades de longa distância. Ela cita um estudo de John Pucher – apelidado de “Professor Bicicleta” –, da Rutgers University, que mostra que 40% de todos os deslocamentos de carro nas áreas metropolitanas estão a menos de 3,2 quilômetros, distância facilmente “pedalável”.

Bicicleta gerando empregos

A economista também cita outro estudo de Heidi Garrett-Peltier, do Instituto de Pesquisas Políticas e Econômicas da Universidade de Massachusetts, que analisou a fundo 58 projetos de implantação de ciclovias em 11 cidades americanas para medir o impacto na geração de empregos. A conclusão é de que investir em ciclovias gera 46% mais empregos por dólar investido que a construção de ruas exclusivas para automóveis.

Anualmente a bicicleta ajuda a economia norte-americana a economizar US$ 4,6 bilhões

De acordo com o estudo Pedestrian and Bicycle Infrastructure: A National Study of Employment Impacts [Infraestrutura para Pedestres e Bicicletas: Um Estudo Nacional de Impacto nos Empregos] os projetos “apenas para carros” geraram 7,8 empregos por milhão de dólar aplicado, enquanto as ciclovias geraram 11,4 empregos por US$/milhão. Em alguns casos, como em Baltimore, no estado de Maryland, esse índice chegou a 14,35 empregos por milhão de dólar aplicado.

Construa, e eles virão

Nancy conclui que o aumento nos investimentos em ciclovias se reflete no aumento da segurança no trânsito para todos. “As vias exclusivas para bicicletas atraem um número cada vez maior de ciclistas e a chance de acidentes entre carros e bicicletas decresce, promovendo sua utilização. Segurança parece ser um fator importante para as mulheres em particular”, avalia.

“Em um país afligido por obesidade e inatividade, as pessoas que se movimentam se tornam mais saudáveis. Pedalar uma bicicleta para ir ao trabalho é muito mais barato que entrar em uma academia. Além disso, reduzir o consumo de combustíveis melhora a qualidade do ar, reduz a dependência do petróleo importado e economiza dinheiro”, completa.

Ciclo virtuoso

Estudo da London School of Economics revela que, ao pedalar, os britânicos ajudam a movimentar 3 bilhões de libras esterlinas (cerca de R$ 9,4 bilhões) ao ano na economia do país. Para efeito de comparação, o volume é quase 70% maior que todo o orçamento de Curitiba previsto para 2013 e equivale ao Produto Interno Bruto (PIB) de São José dos Pinhais, a terceira maior economia do Paraná.

O estudo considera não apenas a fabricação e venda de peças e equipamentos, mas toda a cadeia de serviços agregados, investimentos em ciclovias e até economia dos hospitais públicos, que deixam de gastar 760 milhões de libras (R$ 2,38 bilhões) ao ano no tratamento de problemas ligados ao sedentarismo.

Reprodução

Reprodução / Bicicleta circulando dólares: de volta à prosperidadeBicicleta circulando dólares: de volta à prosperidade

Infelizmente, não há estatísticas específicas sobre a influência da bicicleta no PIB brasileiro. A Abraciclo, entidade que representa os fabricantes do setor, informou no Fórum Mundial da Bicicleta, em fevereiro deste ano, que essa cadeia gera 117,5 mil empregos no Brasil — varejo (60%) e fabricação de peças (12%) respondem pelas maiores fatias.

Apenas para efeito de comparação, as montadoras – queridinhas do governo federal — geram cerca de 145 mil empregos diretos na produção de acordo com dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) referentes a maio de 2012. O número é apenas 23,4% maior que a cadeia produtiva da bicicleta.

Além do efeito positivo sobre a saúde de quem pedala, a bicicleta também ajuda a saúde financeira das empresas britânicas. Trabalhadores que usam a bicicleta faltam ao trabalho, em média, um dia a menos que os demais – com isso, as empresas economizam 128 milhões de libras ao ano (cerca de R$ 400 milhões).

Vidas

O Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental (Creal), de Barcelona, divulgou um estudoque comprova que a implantação de um sistema público de bicicletas ajudou a reduzir em 24% as mortes na capital catalã, considerando-se todo o impacto positivo, sobre a saúde e o trânsito, das políticas de incentivo ao uso das bikes. O meio ambiente também saiu ganhando, evitando que 9 toneladas de dióxido de carbono (CO²) fossem parar na atmosfera.

                                                                             No seu bolso

Reprodução / Em um ano, quem troca o ônibus pela bicicleta economiza R$ 1.357,20 – mais de dois salários mínimosEm um ano, quem troca o ônibus pela bicicleta economiza R$ 1.357,20 – mais de dois salários mínimos

O portal financeiro InfoMoneypublicou que substituir o transporte público por bicicleta gera uma economia de mais de R$ 600 desde o início do ano. No acumulado entre janeiro e maio foram 106 dias úteis. Um paulistano que tenha optado pela bike ao invés de duas viagens de ônibus e metrô por dia teve uma economia de R$ 985,90, cerca de 1,5 salário mínimo.

Já o curitibano que trocou o ônibus pela bicicleta economizou R$ 600 do início do ano até o dia 8 de junho. Até o fim do ano, a economia chegará a R$ 1.357,20 – mais de dois salários mínimos de “Participação de Lucros e Resultados” (PLR) para quem pedala. Se aplicado mensalmente na poupança, em 5 anos o valor supera R$ 8 mil.

Dados gerais sobre o mercado de bicicletas

Confira a página da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (ABRACICLO).

1º Fórum da Bicicleta em Pinhais

O coordenador do Programa Ciclovida, José Carlos Belotto, participou do 1º Fórum Municipal de Bicicletas em Pinhais que ocorreu ontem (2) no Centro Cultural. Segundo a página do fórum o evento foi um sucesso: “Uma aula sobre mobilidade e acessibilidade”.

O objetivo do fórum foi debater os problemas de mobilidade no município e encontrar formas seguras para o uso da bicicleta como meio de transporte.

O Programa Ciclovida e
a Invasão das Bicicletas


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