Arquivo do mês: fevereiro 2014

Filosofando em cima de uma bicicleta a 30 km por hora

Por Paraná Online

 

Com a greve dos motoristas e cobradores não tem histórias de ônibus. Mas tem de bicicleta. Bem, o dia de ontem começou com o telefone tocando: era a Luana avisando que não podia vir trabalhar porque não tinha ônibus. Claro que eu entendi o problema dela, porque também era um problema meu. Como eu ia trabalhar se há tempo eu dispensei este grande conforto moderno que é o automóvel? Três alternativas: táxi, a pé ou bicicleta. Táxi estava fora de cogitação. Eles estavam sendo mais disputados que mulher bonita em penitenciária masculina. Táxi ontem valia o peso em ouro. Ir a pé também estava fora de cogitação: caminhada é uma coisa, fazer sete quilômetros sob o sol para ir trabalhar é meio desconfortável. Sem contar que até os calçados para as duas atividades são diferentes.

Solução: bicicleta. O problema era que a única bicicleta disponível em casa, do meu filho mais velho, uma Caloi Aspen metálica, estava com os pneus murchos. A alternativa foi empurrar a bicicleta até o posto de gasolina, encher os pneus, subir em cima deste bólido inventado há 500 anos por Leonardo Da Vinci e descer o São Lourenço em direção ao centro da cidade pela ciclovia a 30 quilômetros por hora. Primeira coisa que fui pensando: porque eu não andava mais de bicicleta. É mais econômico, é agradável, embora o sujeito fique suado no verão. Sem contar as vantagens para a saúde. Não é preciso ser formado em medicina para saber que andar de bicicleta reduz os riscos de depressão em até 50 por cento.

Claro que neste caso o sujeito tem que pedalar de 30 a 60 minutos por dia e de três a cinco vezes por semana. Andar de bicicleta também melhora a pele, por deixar o coração e os pulmões fortalecidos, facilitando a eliminação de toxinas. Agora eu entendi porque tantas mulheres gostam de andar de bicicleta. E porque elas são tão bonitas. Sem contar que melhora o condicionamento físico. Além de tudo isto, bicicleta não polui o meio ambiente. Eu vinha todo faceiro pela ciclovia filosofando mais que Emmanuel Kant, por um bom motivo: do bairro para o centro é descida e na descida todo santo ajuda. A volta seria outra história. Por isto, continuei filosofando.

Eu não entendo a greve dos motoristas num aspecto: ela pune a população, mas os não os patrões. Do ponto de vista da luta de classes, segundo o filósofo materialista Karl Marx, isto não faz o menor sentido. Se for para punir os patrões, os trabalhadores deviam trabalhar de catracas abertas. Os patrões seriam punidos e a população não seria prejudicada. Foi apenas uma ideia que me surgiu enquanto eu entrava no Bosque do Papa. Do jeito que é feita, os trabalhadores acabam pressionando o poder público para, no final das contas, atender uma demanda dos empresários que é aumentar a tarifa. Foi o que eu pensei enquanto pedalava.

No Bosque do Papa eu pensei na questão da maconha. Sempre tem um sujeito fumando maconha na ciclovia. E eu não deixei de filosofar sobre o assunto. Eu estou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesta questão da maconha. Libera esta porcaria de uma vez que do jeito que está só quem ganha com isso é policial corrupto e traficante. A questão da maconha já encheu o saco. E tem mais: maconha no Brasil podia ser vendida no açougue, porque virou carne de vaca. É impressionante. Mas esta opinião ainda não é definitiva. Afinal, um dos problemas de filosofar em cima de uma bicicleta é este: o sujeito não pode ter nenhuma conclusão porque ele também tem que prestar atenção no trânsito.

Eu pensei que o trajeto Shopping Müeller até o jornal fosse o mais complicado: me enganei. Foi maneiro e fui pedalando. Da Praça Tiradentes até a Pedro Ivo, fui mais rápido que antes. Muitas pessoas andando de bicicleta. Algumas mulheres bonitas me deram bom dia. Eu não pude prestar muita atenção nelas, para não perder o equilíbrio. A única coisa triste foi não encontrar aquele café gostoso na redação. As tias do café não puderam vir por causa da greve do ônibus. Mas no resto, foi maneiro.

Ciclovida participa do lançamento do Projeto Viva

Por ASCOM UFPR

 

Vania Ozorio apresenta repertório latino durante o Projeto Viva - foto Rodrigo Juste Duarte.Vania Ozorio apresenta repertório latino durante o Projeto Viva – foto Rodrigo Juste Duarte.

Na última sexta-feira, 21/02, atividades culturais marcaram o lançamento do Projeto Viva. A iniciativa da UFPR, por meio da Pró-reitoria de Admnistração (PRA), tem o objetivo de divulgar diversos projetos voltados à comunidade acadêmica em temas como saúde, mobilidade, meio-ambiente e cidadania. Ao final do evento foi anunciado um convênio entre a universidade e a Secretaria Municipal de Trânsito de Curitiba (SETRAN).

Na última sexta-feira, 21/02, atividades culturais marcaram o lançamento do Projeto Viva. A iniciativa da UFPR, por meio da Pró-reitoria de Admnistração (PRA), tem o objetivo de divulgar diversos projetos voltados à comunidade acadêmica em temas como saúde, mobilidade, meio-ambiente e cidadania. Ao final do evento foi anunciado um convênio entre a universidade e a Secretaria Municipal de Trânsito de Curitiba (SETRAN).

O projeto surgiu da necessidade de reunir as diversas iniciativas que são desenvolvidas na universidade, buscando uma maior difusão entre estudantes, técnicos e docentes. O Pró-reitor de Administração, Álvaro Pereira de Souza, explicou a origem do programa. “O projeto deu seus primeiros passos em 2010 quando fizemos o Conselho de Segurança na PRA, que trouxe uma visão mais ampla da comunidade da universidade. A partir daí vários programas foram se juntando ao projeto”.

Durante o dia foram realizadas diversas atividades como shows de música, apresentação de teatro e campanhas de conscientização. Também foi oferecido conserto de bicicletas aos participantes.

Integração à cidade

Ao final das atividades o reitor da UFPR, Zaki Akel, e a Secretária de Trânsito, Luiza Simonelli, anunciaram um convênio para atuação conjunta das duas instituições para melhoria do trânsito da cidade e integração da universidade.

Reitor Zaki Akel Sobrinho fala sobre convênio entre a Secretaria Municipal de Trânsito e UFPR, no Projeto Viva - foto Rodrigo Juste DuarteReitor Zaki Akel Sobrinho fala sobre convênio entre o SETRAN e a UFPR ao lado Secretária Municipal de Trânsito, Luíza Simonelli, e Pró-reitor de Administração Álvaro Pereira de Souza – foto Rodrigo Juste Duarte.

O acordo prevê o suporte técnico da universidade em relação ao trânsito e planejamento urbano. A UFPR já conta com projetos que podem dar contribuições importantes para a cidade como o Núcleo de Psicologia do Trânsito e estudos sobre Engenharia de Trânsito. Além disso, está sendo estudada a implantação de uma especialização lato sensusobre o tema para ajudar na formação de profissionais qualificados na área.

A contrapartida da secretaria vai se dar em relação à estrutura da universidade e sua integração à cidade. Este tipo de parceria já vem acontecendo em menor escala, como na implantação de recuos para a parada da linha de ônibus Intercampi , que tem trazido mais segurança para os estudantes e motoristas, o trajeto do ônibus também foi otimizado.

Segundo Souza, o convênio é importante para integrar a universidade ao tecido urbano, “Em vários momentos é preciso uma atuação conjunta entre nós e o município”, completou. Um desses casos é a previsão de mudança de localização da estação tubo que atende o campus Jardim Botânico, que deve ser instalada dentro da universidade, o objetivo é aumentar a segurança dos estudantes, mas para isso é preciso uma série de estudos que serão facilitados pela parceria.

O reitor agradeceu o trabalho da PRA e lembrou do papel da universidade na formação do cidadão. “Esta universidade é o maior celeiro de licenciaturas do Paraná, são professores que vão atuar diretamente na formação do cidadão, é por isto que precisamos trazer as questões do cotidiano para dentro da universidade.” Também lembrou da importância do convênio, “hoje somos uma cidade dentro de Curitiba, uma comunidade de mais de 40 mil pessoas, precisamos nos integrar à cidade.”

Ciclovida – bicicleta como solução

Oficina de bicicletas, consertos oferecidos durante o Projeto Viva - foto Rodrigo Juste Duarte.Oficina de bicicletas, consertos oferecidos durante o Projeto Viva – foto Rodrigo Juste Duarte.

Uma das iniciativas do Projeto Viva é chamar atenção da comunidade acadêmica para o uso da bicicleta como opção de transporte. Durante o dia os participantes do evento puderam fazer pequenos consertos e conhecer as vantagens de uso deste meio de transporte por meio do grupo Ciclovida da UFPR.

O Ciclovida começou a ser desenhado em 2002, com algumas ideias e ações ainda limitadas, vindo a ser oficilizado em 2008. O grupo tem o objetivo de envolver cada vez mais pessoas com a cultura de uso da bicicleta. Segundo José Carlos Belotto, um dos articuladores do projeto, “é preciso combater a cultura do que chamamos de ‘carrismo’, que promove o carro como símbolo de status e coloca este meio de transporte como o único modal possível. Essa lógica foi adotada pelos planejadores urbanos o que acabou atraindo mais e mais carros”.

O programa também busca estimular a pesquisa na UFPR, tentando sensibilizar a academia a estudar assuntos relacionados ao tema, monografias e dissertações de mestrado já foram estimuladas pelo programa. Além disso, o evento “Desafio-intermodal”, promovido pelo grupo, passou a fazer parte das disciplinas de “cidade e meio-ambiente” do curso de Arquitetura e Urbanismo e da disciplina de “engenharia de tráfico” das engenharias. O desafio verifica todo ano na hora do rush qual o meio de transporte mais eficiente para um trajeto de 10km no centro da cidade.

Durante as atividades os visitantes podiam usar o simulador desenvolvido pelo Ciclovida – disponível no site  http://www.ciclovida.ufpr.br/ – onde, informando a distância entre a casa e o trabalho e quantas vezes por semana pretende usar a bicicleta, o sistema retorna informações como a economia que se tem, a quantidade de poluentes que se evita jogar na atmosfera e as calorias a mais que seriam consumidas com a atividade. Também mostra as informações se 10% dos motoristas fizessem o mesmo.

Conserto de bicicletas
O Projeto Viva também contou com conserto de bicicletas para a comunidade universitária, consertos simples que não requerem peças eram feito gratuitamente, consertos mais complexos custavam entre R$ 4,00 e R$ 6,00. A inicitiva foi uma parceria entre a Bicicletaria Cultural e a UFPR, que subsidiou parte dos custos dos consertos.

A Bicicletaria Cultural surgiu em 2011 buscando ser um espaço para o ciclista no centro da cidade. Segundo Fernando Rosenbaum, um dos proprietários, não havia estimulos na região central para os ciclistas, “nós participávamos de várias iniciativas para promover o uso da bicicleta, como as bicicletadas e o festival Arte Bicicleta e Mobilidade [evento de promoção da cultura da bicicleta] mas não havia nada no centro da cidade que dissesse: ‘Seja bem vindo!’ aos ciclistas, a bicicletaria foi a resposta para essa demanda”. O local conta comestacionamento e oficina comunitária, além de um Espaço Cultural e serve como sede para a Cicloiguaçu (Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu).

Gestão ambiental
Também estão contemplados no Projeto Viva o programa Separando Juntos, parceria da PRA com a Divisão de Gestão Ambiental da Prefeitura Universitária, que visa estabelecer ações em relação à separação e destino dos resíduos gerados na UFPR. A divisão também distribuiu panfletos contra o abandono e outros tipos de maus-tratos a animais domésticos. Mais informações no site www.ufpr.br/~dga.pcu e www.zoonoses.agrarias.ufpr.br .

Segurança

Banda PM, de policiais militares, tocam pop rock educativo - foto Marcos Solivan.Banda PM, de policiais militares, tocam pop rock educativo – foto Marcos Solivan.

A SETRAN, além de assinar o convênio, e a Polícia Militar estiveram presentes com ações de conscientização. O Cabo Gonzales que participou da iniciativa ressaltou a importância de eventos que envolvam educação no trânsito, como o Projeto Viva: “estes eventos ajudam a formar um condutor mais consciente, o que torna mais difícil que se envolva em ocorrências, isso ajuda a termos um trânsito mais seguro”. A banda PM, formada por policiais, fez uma apresentação de rock com músicas educativas durante a programação cultural.

O Projeto Viva ainda contempla ações relacionadas à segurança da comunidade acadêmica em geral, como o Projeto “Rota de Fuga”, sob as instruções técnicas do Corpo de Bombeiros. A proposta é construir, ao longo do ano, escadas para utilização em incêndios e adequações menores como a sinalização para os equipamentos de segurança.

 

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A opinião dos palestrantes estrangeiros sobre o 3º Fórum Mundial da Bicicleta

Por Vá de Bike

Veja a percepção de alguns dos convidados estrangeiros que marcaram presença no Fórum de Curitiba. Com Elly Blue, Mora Caron, Chris Carlsson e Lars Gemzøe, além do Chaplin de bicicleta e outras imagens e momentos que transmitem o clima que havia por lá. O vídeo é da Rachel Schein, com tradução de Luciana Spedine.

Estamos preparando uma série de vídeos e matérias sobre o Fórum, trazendo mais informações e imagens sobre o que aconteceu em Curitiba durante os quatro dias de evento. Participar desse Fórum foi uma experiência enriquecedora, que compartilharemos com vocês aqui no Vá de Bike.

 

3º Fórum Mundial da Bicicleta – Palestrantes estrangeiros from Vá de Bike on Vimeo.

Fórum sobre bicicletas aborda negócios

VEJA NO LINK

SAIA DE BICI!

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Cicloturismo no Paraná

Por Bem Paraná

 

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos reuniu ontem, em Curitiba, os maiores especialistas do país na elaboração de rotas de cicloturismo. O objetivo é discutir a implementação de circuitos no Paraná. “O Paraná tem um potencial para o cicloturismo em áreas naturais que, tendo incentivos, ganhará destaque no cenário nacional e internacional”, declarou Antonio Olinto, do Projeto Cicloturismo no Brasil e que viaja o mundo em bicicleta. Já o fundador e presidente do Clube de Cicloturismo no Brasil, Rodrigo Telles, disse que a entidade dará todo o subsídio necessário para a elaboração de circuitos no Paraná.
O encontro contou com a presença do coordenador do projeto Ciclovida da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Carlos Belotto; Eliana Garcia, do Clube de Cicloturismo; Marcelo Castro, da Universidade Estadual de Maringá e Rafaela Asprino, que integra o noticia_373090_img1_8-f1projeto de Cicloturismo no Brasil.

Expertise
Entre os circuitos e guias já criados pelos especialistas estão, o Circuito das Araucárias, Circuito do Vale Europeu, Circuito de Ciclo Turismo Costa Verde&Mar, Circuitos de Cicloturismo – Manual de Incentivo e Orientação para os municípios Brasileiros, Guia de Cicloturismo – Mantiqueira, Guia Caminho da Fé para ciclistas e caminhantes, Guia de Cicloturismo Estrada Real – Caminho Velho, Guia de Cicloturismo Paraná I e Guia Estrada Real – Caminho dos Diamantes e outros. Mais informações:
http://www.clubedecicloturismo.com.br/ e
http://www.olinto.com.br/

Gol de Bicicleta
O Governo do Paraná fez um golaço, e de bicicleta, ao anunciar a obrigatoriedade da inclusão de ciclovias em todos os novos projetos para construção ou duplicação de rodovias no estado. A determinação do governador, Beto Richa, à Secretaria de Infraestrutura e Logística foi aplaudida pelos participantes do 3o Fórum Mundial da Bicicleta – realizado entre os dias 13 a 16 de fevereiro, em Curitiba. O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, foi o mensageiro da boa notícia. O 3o Fórum Mundial da Bicicleta agitou Curitiba com uma programação variada, incluindo mais de 80 atividades.

O planeta pede socorro
O clima atípico dos últimos meses serve como um alerta. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou na última semana um mapa com os principais locais que sofrem com os chamados “Fenômenos Climáticos Extremos”. De acordo com a publicação, o calor que vem ocorrendo no sudeste brasileiro é uma das principais anomalias climáticas do mundo nos últimos meses. Além disso, o destaque também ficou para o forte calor na Austrália, Argentina e África do Sul. Já no hemisfério norte, temos presenciado ondas de frio nos EUA e inundações na Grã-Bretanha.

Reciclagem de lápis e canetas
Todo início de ano, estudantes do país inteiro voltam às aulas com materiais escolares novos e os antigos são descartados no lixo. Para garantir a correta destinação dos resíduos de instrumentos de escrita, a Faber-Castell, em parceria com a TerraCycle, promove a ação “Faxina nos Armários”. Para participar basta se cadastrar no site da TerraCycle e formar um time de coleta de instrumentos de escrita para serem reciclados. O time de coleta pode ser formado por pessoas em casa, na empresa, na escola ou mesmo um grupo de amigos. Podem ser enviados lápis, lápis de cor, lapiseiras, canetas, canetinhas, borrachas, apontadores e muitos outros itens (de qualquer marca), que não funcionem mais ou estejam quebrados.

Premiação
A “Faxina nos Armários” irá premiar os dez times que mais coletarem instrumentos de escrita até o dia 30 de abril. No ano passado, a ação promoveu a reciclagem de 36 mil instrumentos itens de diversas marcas. Para cada 12g de resíduos (o que equivale ao peso de um lápis ou uma caneta), são doados R$ 0,02 para uma escola ou organização sem fins lucrativos, escolhida pelo próprio time de coleta.

Tela Verde
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) ampliou, para 28 de fevereiro, o prazo para o cadastramento de instituições interessadas em participar da 5ª Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente – Circuito Tela Verde. Para fazer a inscrição, basta acessar o link e preencher o formulário. Na última edição, participaram mais de 1,5 mil espaços exibidores espalhados em todo País. O MMA divulgará, após o encerramento do prazo de inscrições, a lista dos espaços cadastrados. A 5ª Mostra está prevista para ser lançada na semana do meio ambiente, comemorada em junho. http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao/circuito-tela-verde/item/9873

Bicicmáquinas: Saúde e Desenvolvimento Econômico

palestra_CarlosMarroquin

TCC: A CONTRIBUIÇÃO DAS POLÍTICAS DE ESTÍMULO AO USO DA BICICLETA PARA O DESENVOLVIMENTO DA MOBILIDADE SUSTENTÁVEL NAS CIDADES

TCC Lucas Patino Lordello

Andar de bicicleta é uma decisão política

Por Carta Capital

 

Um dos criadores da massa crítica, o ativista diz que a escolha de andar sobre duas rodas pode servir para questionar a lógica capitalista, mas não é suficiente para isso

 

Em 1992, Chris Carlsson se juntou a alguns amigos para andar de bicicleta na Market Street, a principal rua de São Francisco, nos Estados Unidos. Eles ocuparam a via e se tornaram o próprio trânsito no lugar dos carros que a ocupavam. Com aquele ato, eles começaram o movimento conhecido como massa crítica, que se espalhou para o mundo inteiro. No Brasil, ele é conhecido principalmente como bicicletada, quando diversas pessoas tomam uma via importante da cidade sem lideranças e trajetos impostos, assim como Carlsson fez há vinte anos.

df0874cf-bbe1-4ef5-852a-13d9986d3cedCarlsson conversou com a CartaCapital em visita a São Paulo nesta semana. Ele está no Brasil para participar do III Fórum Mundial da Bicicleta, em Curitiba, e lançar o seu livro Nowtopia – Iniciativas que estão construindo o futuro hoje (Tomo Editorial). No livro, ele defende que o ciclismo, hortas comunitárias e a cultura do “faça você mesmo” contribuem para formar uma sociedade que supere o capitalismo. Com uma abordagem marxista, Carlsson acredita que estas atitudes podem ajudar a classe trabalhadora a se emancipar do trabalho assalariado e ter uma vida melhor e mais saudável. Leia a entrevista abaixo:

CartaCapital: O senhor fez parte do começo da massa crítica há vinte anos em São Francisco. Hoje, há grupos como este em todo o mundo, o número de ciclistas urbanos tem aumentado e grandes cidades têm políticas públicas voltadas para a bicicleta. O senhor imaginava o desdobramento que a massa crítica teria?

Chris Carlsson: Não  imaginava. Nós começamos com uma comunidade de amigos, porque não havia tantas bicicletas assim em São Francisco. A primeira massa crítica que fizemos tinha cinquenta pessoas. Nós subimos a rua principal da cidade, viramos à esquerda e entramos em um bar. Só isso, foi uma coisa bem simples. Mas deste ato surgiu uma bola de neve, e a massa crítica se tornou um fenômeno global que mudou cidades em todo o mundo, incluindo São Paulo.

CC: Por que  o senhor acha que o movimento se espalhou desta forma?

Carlsson: O entendimento mais óbvio é a partir do slogan “isso já estava na cabeça de todos”. Assim que você diz a um ciclista: “em outra cidade eles encheram a rua de bicicletas e voltaram para casa”, o primeiro pensamento dele será: “nossa, vamos fazer isso aqui!” Na lógica de ser tratado como um cidadão de segunda categoria nas ruas, a resposta do ciclista só poder ser feita  por meio de uma ação coletiva, com ocupação e reabilitação das ruas.

CC: Não há algo como uma organização central de massas críticas e bicicletadas. Cada movimento se organiza e manifesta de formas diferentes, e ambos os termos são guarda-chuvas para diversos movimentos. Como você acha que a ideia de massa crítica é utilizada pelas pessoas que a organizam?

Carlsson: O uso diferente acontece. As pessoas chamam alguns protestos de massa crítica quando vão a um protesto de bicicleta, mas isso não é a massa crítica: é um protesto de bicicletas. Mas eu não me importo, o conceito não é meu e as pessoas fazem o que quiserem dele.Para mim, a massa crítica é um evento sem outras razões. Ela não é instrumentalizada, você não a usa para atingir outra coisa. Mas naquele espaço você pode começar a fazer outras coisas.

É como uma incubadora de ovos aonde eles vão chocando. Tudo que você pode pensar já começou numa massa crítica: novas campanhas, grupos políticos, amizades, negócios, famílias, e por aí vai.  A melhor coisa é que a massa crítica deu a todo um setor da população a chance de achar outra maneira de fazer política.

CC: Você vê a bicicleta como uma ferramenta anticapitalista. Porém, ela ganhou espaço em propagandas e é um objeto de consumo. Em cidades como Londres, São Paulo e São Francisco, os bancos administram as bicicletas chamadas de “públicas”. Diante dessa absorção dela por empresas, a bicicleta ainda pode ser uma ferramenta de transformação contra o capitalismo?

Carlsson: Só a bicicleta não é suficiente. A bicicleta, por si só, não é interessante. Ela é um meio de transporte e um produto industrial. A história dela também é a história da escravidão na Amazônia e no Congo, em busca de borracha para fazer bicicletas para o hemisfério norte.  Já a história contemporânea da bicicleta no século XX é a da resposta a automobilização das cidades, e isso pode ser uma resposta para fazer algo diferente na cidade.

A bicicleta é um meio de transporte em seu senso literal. Ela ajuda as pessoas a chegarem do ponto A ao ponto B, e isso é uma simples realidade apolítica. Mas a pessoa pode decidir se vai de trem, carro, ônibus, andando, pulando ou voando ao ponto B. E existe política nessa decisão.

Então o real transporte que a bicicleta pode fazer politicamente é levar você para outra maneira de viver. E isso não acontece automaticamente. Isso necessita um contexto e um pensamento político. A bicicleta é um objeto em que você pode despejar sentido, como você coloca um líquido em um copo. E o sentido vem das nossas cabeças, das nossas decisões. Se não colocarmos o sentido político nela, ela é só um objeto chato, perfeitamente compatível com o capitalismo.

Além disso, você pode ter uma sociedade capitalista baseada em bicicletas. O problema é que a sociedade capitalista é baseada no crescimento, e não vai crescer tão rapidamente porque não estão desperdiçando tantas coisas quanto com carros. Então as bicicletas são um passo atrás na lógica capitalista, mas não um passo completo.

CC: E você acha que a maioria dos ciclistas preenche a bicicleta com este sentido anticapitalista?

Carlsson: A maioria não. Mas uma coisa interessante que pode acontecer é que, pedalando na massa crítica, as pessoas conversem com outros ciclistas que fazem política, ou que estiveram pensando sobre isso. Porém, isso não acontece sempre. Há ciclistas organizados em torno de lojas de departamento, e até pela polícia. Quando a bicicleta está em um processo mais aberto, como a massa crítica, ela tem mais chances de ser parte de um processo de mudança social e pessoal.

CC: Seu livro trata de exemplos norte-americanos de ciclistas, hortas comunitárias e outras formas de ativismo. No Brasil, apesar da maior parte dos ciclistas estarem em cidades menores e nas periferias das metrópoles, o ativismo é atrelado a pessoas de bairros mais ricos. O mesmo acontece com a permacultura em São Paulo, por exemplo. As experiências citadas no livro podem ajudar as pessoas menos favorecidas de uma sociedade desigual como a brasileira?

Carlsson: Algumas pessoas estão tão desesperadas para manter sua sobrevivência que passam cada minuto da sua vida trabalhando, e não têm tempo para fazer mais nada. Isso pode significar sair da periferia de São Paulo e deslocar-se 60 quilômetros por dia. Trabalhar 14 horas, ficar quatro no trânsito, dormir seis horas e começar tudo isso de novo. É uma vida muito difícil, próxima à escravidão. Nós, que não vivemos assim, temos muita dificuldade de entender.

Porém, essas pessoas podem decidir fazer uma parte dessa jornada de bicicleta, decidir trocar o que fazem. Elas ainda têm livre-arbítrio. Elas podem tentar plantar comida perto da sua casa, e com isso depender menos de fazer dinheiro. Um pouco, não muito, é claro. Elas também podem cooperar com seus vizinhos, pois eu acredito que as sociedades pobres têm mais solidariedade que nós, que é uma chave para a sua sobrevivência.

Sempre há uma margem para reduzir a necessidade de dinheiro e aumentar a relação com o bem comum. Todo mundo, em qualquer situação, pode fazê-lo se decidir isso.

CC: O senhor fala que os sindicatos são formas de organização obsoletas para os trabalhadores. Qual  é o papel das organizações de trabalhadores dentro da sua ideia de mudança?

Carlsson: O problema que eu tenho com os sindicatos é que eles desistiram de questionar o que fazemos há muito tempo. Eles não se importam, eles só querem trabalho. Fazer estradas horríveis, construir prédios em todos os cantos, colocar cimento na nossa terra, o que for. Por que estamos fazendo este trabalho estúpido? Trabalhando em bancos, companhias de seguro, fazendo coisas que vão quebrar em seis meses.

Nós fazemos muitas coisas estúpidas, e os sindicatos não se importam com isso. Não é parte da lógica em que eles foram fundados. A lógica é só ganhar mais dinheiro para os trabalhadores, e defendê-los em seu próprio trabalho. Eles deveriam começar a pensar em como vivemos, os problemas que enfrentamos e quais o trabalho que deveriam ser feitos para solucionar este problema.

CC: O senhor defende em seu livro que toda atitude é política, e cita mudanças vinda das mãos ou da organização dos cidadãos, sem interferência do Estado. Qual o papel da política institucional nestas mudanças?

Carlsson: As instituições políticas, os governos e as agências que eles mantêm mostram pouca adaptabilidade na história que vimos até hoje. Aacho que estamos vivendo em um período em que você vai mudar isso.

A repressão que vimos no Brasil em junho do ano passado é um bom exemplo disso, de como o Estado não consegue responder às pessoas se unindo de forma horizontal e indo às ruas. Nós vimos isso também na Turquia, na Espanha, na Grécia e no Egito. E em todas houve uma grande repressão do Estado. Então ele está muito preso nas suas formas antigas, e não mostra uma capacidade de se adaptar.

Certo, mas então se uma revolução vier, o que isso significa? Eu acho que poderiam surgir instituições que ajudariam as pessoas a cuidar das coisas, de baixo. Uma democracia efetiva, não somente votar para pessoas no Estado. Uma democracia que permita as pessoas decidirem como gastamos os recursos, como vamos prover água e eletricidade, como trabalhamos e para o quê.

RUAS DE LAZER – Uma epidemia saudável

Ruas de Lazer: uma epidemia saudável e uma intervenção comunitária
promissora para controlar a pandemia global de inatividade física. Saiba
mais sobre seus benefícios e tenha ideias para iniciar um programa em sua cidade

O que são as Ruas de Lazer?

 

VEJA  MAIS AQUI

O Programa Ciclovida e
a Invasão das Bicicletas


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