Arquivo do mês: junho 2014

Vias calmas – uma análise crítica

Por Gazeta do Povo

“Correndo menos Curitiba chega na frente” é o slogan que dá identidade às vias calmas. Recentemente, um pichador teve sua frase ironizada e talvez imortalizada, pois na tentativa de criticar a Copa do Mundo defenestrou a Word Cup (“Copa da Palavra”) em vez da World Cup. Em tempos de Copa do Mundo o slogan seria traduzido como Running less e não Running slowly. Um velocista da prova de 100 metros atinge 40 km/h para aproximar-se da marca de dez segundos, enquanto um maratonista precisa manter-se na média de 20 km/h para aproximar-se das duas horas nos 42 km. O velocista corre “menos” que o maratonista, porém no dobro da velocidade. “Menos” é diferente de “mais devagar”. Na “Word Cup”, Curitiba marca gol contra! Analisemos ponto a ponto:

Compartilhamento: não há novidade alguma, pois conforme a própria sinalização vertical (placa) os pedestres estão na calçada em um plano superior (onde sempre estiveram); e os veículos (leves, pesados, motorizados e não motorizados), no leito carroçável da via, onde sempre estiveram. A placa reproduz o que a lei sempre disse. A separação física entre bicicleta e automóvel que aparece na placa não existe na via. Ainda assim, seria compartilhamento das faixas, e não da via, pois o pedestre não compartilha na calçada, nem o ônibus na canaleta.

Por mais amor às cidades

Curioso que Curitiba, sempre referência em termos de planejamento urbano e desenvolvimento, não foi capaz, até o presente momento, de incorporar adequadamente, com visão de futuro e ousadia, a bicicleta como opção de mobilidade. Igualmente curioso é observar como as recentes iniciativas, implantadas e anunciadas pela prefeitura, já provocam reações adversas de gente que não quer largar dos preconceitos e nem do volante.

Quando falamos da necessidade de implantar espaços seguros para a bicicleta e colocar o pedestre como referência no planejamento, fazemos uma declaração de amor à cidade. A bicicleta é um vetor de ocupação do espaço que trará as pessoas às ruas, facilitará às novas gerações a descoberta da história da cidade, da geografia, dos rios e da vida urbana como um todo.

Leia a opinião completa de Jorge Brand, mestre em Filosofia pela UFPR e coordenador-geral da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu).

Ciclofaixa: não existe ciclofaixa; existe, sim, uma faixa estreita e outra de largura tradicional que podem ser ocupadas por qualquer veículo. A ciclofaixa é delimitada por faixa contínua vermelha, entendendo-se faixa a linha e não a pista pintada (tapete vermelho). O pictograma de uma bicicleta pintada no chão não indica obrigatoriedade, apenas sugere. Sendo a faixa branca descontínua, qualquer veículo pode ocupar qualquer das faixas, inclusive lado a lado onde couber, bem como a bicicleta pode ocupar tanto o bordo direito quanto o esquerdo (tema que já foi objeto de debate na OAB/PR; a lei não define qual lado a bicicleta deve ocupar), e ninguém pode ser autuado por se comportar assim.

Cruzamentos: nos cruzamentos foram pintados “tapetes vermelhos” com a intenção de que as bicicletas ocupem essa área enquanto aguardam a abertura do semáforo, e os veículos motorizados ficam logo atrás. Não há infração de parada sobre a ciclofaixa na espera pela abertura do semáforo, mas apenas sobre a faixa de pedestres. Nem mesmo parar sobre a “faixa de retenção” que se encontra antes da faixa de pedestres é considerado infração, portanto ninguém pode ser autuado por parar sobre o “tapete vermelho” enquanto aguarda a abertura do semáforo.

Velocidade: quanto à velocidade de 30 km/h, seria importante a clareza: ela se aplica em toda a via (inclusive na faixa exclusiva de ônibus, a canaleta) ou apenas nas faixas “compartilhadas”? Até porque essa noção de aproximação é importante para um pedestre que esteja fazendo a travessia onde não haja faixa de pedestres. Faço a observação porque a placa de velocidade máxima que se encontra na calçada impõe 30 km/h, enquanto a que se encontra no centro, junto à canaleta, impõe 40 km/h de máxima.

A conclusão é de que, como ideia (ideal), é genial. Como expectativa de comportamento, é distante. A força legal para alcançar o ideal da forma como está é escassa. Nossa visão crítica não representa contrariedade gratuita à ideia, mas um alerta, pois, quando houver o conflito, o acidente, o prejuízo material, pessoal, na área cível ou criminal, com caso submetido ao Judiciário, o responsável será quem incorreu no ilícito, e o juiz da causa precisará nortear e fundamentar sua decisão nas regras de trânsito.

Marcelo José Araújo, advogado e professor de Direito de Trânsito, é presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da OAB/PR.

 

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CICLODEBATE: Um diálogo sobre a mulher e a bicicleta

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Como a bicicleta pode mudar nossas vidas para melhor!

Desmitificando o bicho de sete cabeças.

Programação:

9h – Oficina de customização de bibicleta – Passeio Público

11h – Bicicletada – Saída da Praça da Mulher Nua (19 de dezembro)

12h -Tai Chi Chuan – Mercado Municipal de Curitiba

14h – Abertura do Ciclodebate com Amanda Galego (Saia de Bici), Bianca Cassilha (Bibi de Baike) e Roseli Isidoro (Secretaria da Mulher) – Auditório Setor de Orgânicos do Mercado Municipal.

14h30 Painéis:

-Corpo de mulher, sabedoria de mulher.
Silvia Patzsch

-A violência contra a mulher
Roseli Isidoro (secretaria da mulher)

-Da fragilidade ao poder: como mais mulheres em bicicleta podem mudar o mundo.
Aline Cavalcante

-A influência da bicicleta na saúde da mulher.
Milena Nichel

-Programa Pedala Curitiba
Eduardo (DULE)

17h Mesa Redonda.

Participem! Ciclistas, não ciclistas, são todos bem vindos, o que importa é a troca dessa experiência e os tabus que serão quebrados!

Mão na roda!

Por Paraná Online

 

Espaço na esquina das ruas São Francisco e Presidente Faria, no Centro de Curitiba, terá estacionamento pras bikes e será ponto de encontro da turma do pedal. Foto: Marco Charneski

Em pouco mais de um mês, o centro de Curitiba ganhará um espaço inteiramente dedicado aos apaixonados por bicicletas. Trata-se da Praça do Ciclista, localizada na esquina das ruas São Francisco e Presidente Faria, que está sendo construída por meio de um mutirão organizado pelos próprios cicloativistas. “Será um ponto de encontro da nossa comunidade”, diz Jorge Brand, o Goura, coordenador geral do CicloIguaçu, entidade que lidera a construção do espaço.

Ao total, o espaço contará com 128 m2 de um terreno cedido pela prefeitura de Curitiba. O projeto da “Praça de Bolso do Ciclista” foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), juntamente com os ciclistas envolvidos na causa. “Aqui teremos paraciclos, para as pessoas estacionarem suas bikes, uma rampa de acesso e um banco redondo que será colocado ao redor de um Ipê Amarelo”, conta Goura.

A ideia surgiu há cerca de dois anos, quando técnicos do Ippuc, que trabalhavam na revitalização da Rua São Francisco, informaram que a área era da prefeitura. “Nos contaram sobre o terreno e que se apresentássemos um projeto poderíamos utilizar a área para algum fim específico. Assim começamos as conversas e tivemos a ideia de uma praça para os ciclistas da cidade, mas só no início desse ano é que a coisa começou a andar de verdade”, explica Goura.

O cicloativista ainda explica que uma das ideias dos idealizadores do espaço é oferecer ferramentas para manutenção rápida das bicicletas e uma bomba de calibragem de pneus. “Mas pensamos isso para um segundo momento do projeto. O que queremos agora é finalizar as obras e entregar a praça”, afirma.

Mutirão

A Praça do Ciclista está sendo construída em regime de mutirão. Os voluntários são convocados através das redes sociais e comparecem para trabalhar no sábado e no domingo. Segundo Goura, cerca de cem “operários” aparecem por final de semana. “Alguns dias atrás apareceram dois trabalhadores que estão atando nas obras da Arena da Baixada e nos auxiliaram com o levantamento do nosso paredão. Deram dicas supervaliosas”, conta. As obras começaram no início do último mês de maio e devem acabar no final de junho.

 

Esse é primeiro projeto de espaço público executado pela própria população. “Acho que o que estamos fazendo aqui pode servir de exemplo. Tanto para os cidadãos, quanto para o poder público. O estado nem sempre pode e precisa oferecer tudo à população e aqui estamos mostrando que muita coisa pode ser feita com a participação de todos”, conclui Goura.

Comente aqui.

– Como você avalia o projeto da Praça do Ciclista?

– Faltam estacionamentos pra bicicletas em Curitiba?

– Que tipo de projetos podem ser executados em regime de mutirão?

Veja na galeria de fotos o mutirão.

O Programa Ciclovida e
a Invasão das Bicicletas


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